Times ingleses que já foram punidos pelo fair play financeiro
Pep Guardiola conversa com o sheik Mansour Bin Zayed, dono do Manchester City. (Foto: Divulgação / Manchester City FC)
O fair play financeiro se tornou um dos principais mecanismos de controle das contas no futebol europeu. As regras estabelecem limites para gastos, prejuízos e custos com elencos, buscando incentivar a sustentabilidade econômica e evitar despesas incompatíveis com as receitas dos clubes.
Na Inglaterra, equipes da Premier League já enfrentaram investigações, multas e deduções de pontos por violações financeiras. Os casos envolvem tanto as regras de lucratividade e sustentabilidade da liga nacional quanto os regulamentos da UEFA, com consequências que podem afetar o orçamento e o desempenho esportivo.
Manchester City: o caso das 115 acusações
O Manchester City enfrenta um dos processos financeiros mais complexos do futebol inglês. Em setembro de 2026, uma comissão independente considerou o clube culpado em 114 das 115 acusações apresentadas pela Premier League. As infrações teriam ocorrido entre 2009/10 e 2017/18, envolvendo contratos de patrocínio considerados falsos ou camuflados. Segundo o painel, valores injetados pelos proprietários foram registrados como receitas comerciais legítimas, provocando uma distorção contábil estimada em 900 milhões de libras.
No início de outubro de 2026, o Manchester City recorreu da decisão. O clube e a Premier League aguardam o julgamento do recurso e a definição das sanções finais. Entre as possíveis consequências estão multas elevadas, deduções expressivas de pontos e até o rebaixamento de divisão.
Everton: múltiplas deduções de pontos
O Everton foi o primeiro clube punido diretamente pelas regras de lucratividade e sustentabilidade da Premier League, conhecidas como PSR. O regulamento permite prejuízos de até 105 milhões de libras em três anos, mas o clube ultrapassou esse limite. Em sua defesa, alegou que parte do excesso estava relacionada aos juros de empréstimos para a construção do novo estádio.
Na temporada 2023/24, o Everton sofreu duas deduções de pontos. A primeira punição foi de dez pontos, posteriormente reduzida para seis após recurso. Depois, o clube perdeu mais dois pontos por uma nova violação financeira. Além das sanções esportivas, também enfrentou processos de indenização movidos por rivais.
Nottingham Forest: o caso da venda tardia
O Nottingham Forest foi punido pela Premier League no início de 2024 por ultrapassar o limite de prejuízos permitido. Como disputou parte do período de avaliação na Championship, o clube tinha um teto de perdas de 61 milhões de libras. Ainda assim, excedeu o limite em 34,5 milhões de libras.
O Forest argumentou que poderia ter evitado a infração se tivesse vendido Brennan Johnson antes do fechamento do balanço, em 30 de junho. O atacante foi negociado com o Tottenham apenas em setembro, por 47,5 milhões de libras. A liga considerou a cooperação do clube como atenuante e aplicou uma dedução de quatro pontos, abaixo dos seis inicialmente previstos.
Aston Villa: excesso na folha de pagamento da UEFA
Em junho de 2026, o Aston Villa sofreu sanções da UEFA por violar as regras de proporção de custos do elenco, conhecidas como Squad Cost Ratio (SCR). O regulamento limita os gastos com salários de jogadores e treinadores, além de comissões de agentes, a um percentual das receitas. O teto caiu para 70% na temporada mencionada, e o clube cometeu uma violação considerada significativa.
A UEFA aplicou uma multa condicional de 22,5 milhões de euros ao Aston Villa. Desse total, 7,5 milhões devem ser pagos imediatamente, enquanto 15 milhões ficam suspensos, condicionados à melhora dos relatórios financeiros de 2026. O clube também sofreu restrições para inscrever novos atletas em competições continentais.
Chelsea: multas da UEFA e investigação preventiva
O Chelsea atua em duas frentes de controle financeiro. Na esfera europeia, a UEFA barrou o uso contábil da venda de hotéis e do time feminino para empresas do próprio grupo (BlueCo), gerando multas por descumprimento do fair play financeiro, embora a Premier League tenha aceitado a manobra imobiliária localmente.
Em paralelo, os órgãos ingleses encerraram os processos sobre os pagamentos ocultos da era Roman Abramovich. A auto-denúncia da nova gestão evitou a perda de pontos na tabela, mas resultou em uma multa de 10,75 milhões de libras da Premier League com restrições na base, além de uma sanção de 10 milhões de libras aplicada pela Federação Inglesa (FA).
