Brentford 3 x 0 Chelsea: as dúvidas que ficam para Xabi Alonso
A derrota deixou o Chelsea com 12 gols sofridos em cinco rodadas e 21 jogos consecutivos de Premier League sem um clean sheet.
O Chelsea entrou em campo contra o Brentford com a possibilidade de encontrar algumas respostas antes de uma pausa de mais de três semanas para a data Fifa. Saiu com mais perguntas. A derrota por 3 a 0 no Gtech Community Stadium foi provavelmente a atuação menos inspirada deste início de trabalho de Xabi Alonso, não apenas pelo resultado, mas pela dificuldade em produzir qualquer reação quando o jogo começou a escapar. Depois de cinco rodadas, são apenas duas vitórias, 12 gols sofridos e nenhum jogo de Premier League sem ser vazado. A pausa chega em boa hora, mas talvez não pelos motivos que o Chelsea imaginava.
Uma noite sem reação
O primeiro tempo foi equilibrado em posse e em volume, embora nem sempre em qualidade. O Brentford pressionou o meio-campo como se esperava e conseguiu induzir o Chelsea a uma série de erros. Depois do intervalo, o time da casa cresceu e encontrou o primeiro gol aos 60 minutos, em território conhecido: a bola parada. Mikkel Damsgaard cobrou o escanteio no segundo pau, Jannik Schuster devolveu de cabeça para a pequena área e Jaidon Anthony completou. Formado durante dez anos na academia do Arsenal, Anthony certamente encontrou um gosto especial em marcar contra um rival londrino de seu antigo clube.
O gol também voltou a expor um problema muito menos pitoresco. A bola parada segue castigando um Chelsea que parece vulnerável demais nesses momentos — e tratá-la apenas como um detalhe seria ignorar para onde a própria Premier League vem caminhando. Uma boa bola parada deixou há algum tempo de ser um bônus para se tornar parte importante do arsenal dos melhores times. Contra uma equipe como o Brentford, especialmente preparada para transformar esses lances em vantagem, oferecer esse tipo de oportunidade é quase um convite.
O restante da partida pode ser resumido mais pela ausência de reação do que pelos próprios gols. Aos 83 minutos, Kevin Schade atacou o espaço nas costas da defesa, Emi Martínez defendeu sua finalização e Igor Thiago aproveitou o rebote. O Chelsea já parecia derrotado antes mesmo de estar dois gols atrás. O terceiro, de Fábio Carvalho nos acréscimos, depois de mais uma desatenção defensiva, foi apenas a assinatura de um acordo que o time já parecia ter firmado alguns minutos antes: aquela noite não teria reação. Ao apito final, o tamanho do problema estava nos números: 12 gols sofridos em cinco rodadas e 21 partidas consecutivas de Premier League sem um clean sheet.
Uma resposta e outra pergunta

Em uma noite com tão pouco para guardar, a estreia de Jordan Henderson talvez tenha oferecido a informação mais interessante. Aos 36 anos e depois de 83 dias sem disputar futebol competitivo, ele trouxe alguma estabilidade ao meio-campo, recuando entre os defensores para participar da saída e permitindo que Valentin Barco jogasse mais adiantado. É cedo para transformar uma boa estreia em solução, mas a volta de Moisés Caicedo depois da pausa abre uma possibilidade interessante: Henderson pode ser o parceiro que permita ao equatoriano fazer mais daquilo que o torna especial, em vez de passar os jogos tentando consertar sozinho o meio-campo do Chelsea.
Enquanto uma possibilidade apareceu, outra continua estranhamente pouco explorada. Estêvão, mais uma vez, recebeu poucos minutos — entrou quando o Chelsea já perdia por dois gols. Há questões táticas legítimas por trás disso, é verdade: o brasileiro não oferece na ala direita exatamente o mesmo trabalho de Pedro Neto e, nas posições em que suas características parecem mais naturais, encontra alguns dos principais jogadores do elenco. Mas essa explicação também tem limite. Em um time sem inspiração e que precisava encontrar alguma coisa diferente, é difícil entender que a capacidade de desequilíbrio de Estêvão seja tratada apenas como uma alternativa para os minutos finais. Mais do que sua minutagem, chama atenção o lugar que Alonso parece ter reservado para ele.
O Dia da Marmota do Chelsea
Talvez essa seja a parte mais frustrante deste início. Xabi Alonso está há apenas cinco rodadas no comando e seria precipitado esperar que já tivesse todas as respostas de um elenco tão grande, jovem e peculiar. Ao mesmo tempo, existe uma sensação familiar para quem acompanha o Chelsea durante as sucessivas mudanças de liderança: cada novo técnico parece precisar viver as mesmas experiências para descobrir coisas que o clube e seus torcedores já descobriram antes dele. Quais jogadores funcionam juntos, onde falta profundidade, quem pode oferecer algo diferente e quais fragilidades não desaparecem apenas porque mudou o treinador. De tempos em tempos, o Chelsea parece acordar no mesmo dia.
A pausa para a data Fifa, portanto, interrompe o trabalho de Alonso em um momento estranho. Ela oferece tempo para recuperar jogadores importantes, sobretudo Caicedo, e pensar em soluções depois de um início que perdeu rapidamente o entusiasmo das primeiras semanas. Mas também congela por mais de três semanas a imagem de um Chelsea apático, vulnerável e ainda muito dependente de determinadas peças. Henderson talvez tenha oferecido uma resposta. Estêvão continua sendo uma pergunta. E Xabi Alonso terá até o dia 10 de outubro, quando o Chelsea recebe o Bournemouth em Stamford Bridge, para descobrir quantas das outras ele realmente precisa responder.
