Chelsea 5 x 1 Bournemouth: as respostas começam pelo meio-campo
Jordan Henderson marcou duas vezes na goleada do Chelsea sobre o Bournemouth, em Stamford Bridge. (Foto: Pierse/Getty Images)
O Chelsea voltou da pausa para a data Fifa com sua vitória mais convincente sob o comando de Xabi Alonso. Três semanas depois de perder para o Brentford, o time londrino goleou o Bournemouth por 5 a 1, em Stamford Bridge, com atuação decisiva de João Pedro e Jordan Henderson. Mas, para além de uma tarde particularmente inspirada no ataque, a melhor notícia para Alonso talvez tenha sido outra: pela primeira vez, seu Chelsea pareceu encontrar no meio-campo a estabilidade necessária para fazer o restante da equipe funcionar.
O equilíbrio que faltava ao Chelsea
A estreia de Jordan Henderson contra o Brentford, apesar da derrota, já havia sugerido que o veterano poderia oferecer algo que faltava ao Chelsea. Ao lado de Moisés Caicedo, que fez sua primeira partida como titular na temporada, essa impressão ganhou força. Henderson trouxe organização e tranquilidade à circulação da bola, enquanto o equatoriano voltou a fazer aquilo que o tornou indispensável: antecipar jogadas, recuperar a posse e impedir que os ataques adversários se desenvolvam. A parceria também permitiu que Caicedo jogasse com mais liberdade, sem precisar assumir sozinho a responsabilidade de proteger o meio-campo.
Como era de se esperar, um Chelsea mais sólido no centro do campo também se tornou uma equipe defensivamente mais segura. Depois de sofrer 12 gols nas primeiras cinco rodadas, Alonso precisava encontrar uma maneira de proteger melhor sua defesa. Embora a escalação sugerisse uma linha de três zagueiros, o Chelsea se organizou, na prática, com uma linha de quatro defensores, na qual Josh Acheampong desempenhou muito bem a função de lateral-direito com responsabilidades mais defensivas. Sua presença deu segurança ao setor e permitiu que Pedro Neto atuasse com maior liberdade no ataque. Mais do que uma mudança de formação, Alonso parece ter encontrado uma distribuição de funções que favorece as características de seus jogadores.
Cinco gols, mas quantas oportunidades?

Se a organização defensiva apresentou sinais de evolução, o ataque voltou a exibir uma característica curiosa deste início de temporada: o Chelsea continua marcando muito mais gols do que seu volume de criação parece justificar. São 15 gols marcados na Premier League para um xG acumulado de apenas 8,4, quase o dobro do que seria esperado pela qualidade das oportunidades produzidas. Contra o Bournemouth, a diferença foi ainda mais impressionante: o Chelsea marcou cinco vezes com apenas 1,09 de xG, número inferior, inclusive, ao 1,46 registrado pelo adversário.
A eficiência é uma qualidade, evidentemente, mas tamanha discrepância também levanta uma pergunta inevitável: até quando esse aproveitamento poderá ser sustentado? Alonso ainda precisa encontrar maneiras de produzir chances de forma mais consistente ao longo dos 90 minutos, sem depender tanto de dias inspirados de seus jogadores ofensivos.
João Pedro, por sua vez, continua oferecendo bons motivos para acreditar que sua temporada pode ser especial. Depois dos 15 gols na última Premier League, o brasileiro chegou a cinco nas primeiras seis rodadas desta edição. Mais do que os números, impressiona a naturalidade com que passou a ocupar a função de centroavante. João Pedro já não parece apenas um atacante capaz de atuar em diferentes posições, mas um camisa 9 cada vez mais completo, confortável tanto na construção quanto na finalização.
Uma resposta que muda outras perguntas
Seria exagerado tratar uma goleada como a solução definitiva para os problemas apresentados nas primeiras semanas. O resultado também foi construído a partir de uma eficiência ofensiva que dificilmente poderá ser mantida em todas as rodadas. Ainda assim, a atuação trouxe sinais importantes de evolução. A presença de Henderson e Caicedo não resolveu apenas uma questão localizada no meio-campo: ajudou a defesa a trabalhar em melhores condições, deu mais clareza à distribuição das funções e permitiu que os jogadores ofensivos encontrassem uma equipe mais organizada atrás deles.
Há também uma preocupação inevitável: a dependência de Caicedo. Sua ausência nas primeiras rodadas deixou evidente o quanto o Chelsea ainda precisa dele para funcionar, e administrar sua condição física será uma das tarefas mais importantes de Alonso ao longo da temporada. O Chelsea volta a campo no próximo sábado, contra o Everton, com motivos para estar mais otimista do que estava antes da pausa. A goleada não elimina todas as dúvidas, especialmente sobre a capacidade de criar oportunidades com regularidade. Mas, depois de semanas tentando encontrar equilíbrio, Alonso parece ter descoberto algo fundamental: quando o meio-campo funciona, o restante do Chelsea também começa a fazer mais sentido.
