Everton 0 x 2 Chelsea: Pedro Neto decide, e a defesa finalmente respira

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Pedro Neto marcou os dois gols da vitória do Chelsea sobre o Everton. (Foto: Chelsea/Site Oficial)

O Chelsea conquistou neste sábado (17) uma de suas vitórias mais importantes neste início de temporada. Com dois gols de Pedro Neto, a equipe de Xabi Alonso venceu o Everton por 2 a 0, fora de casa, e chegou aos 13 pontos na Premier League. O português foi o protagonista de uma atuação que também ficou marcada pelo susto envolvendo Emiliano Martínez, retirado de campo de maca após um choque de cabeça. Mas, além dos três pontos e do brilho individual de Neto, o Chelsea teve outro motivo para comemorar: depois de 22 partidas consecutivas sofrendo gols no campeonato, finalmente voltou a terminar um jogo sem ser vazado.

Pedro Neto encontra espaço para decidir

O Chelsea precisou de paciência para superar o Everton. O primeiro tempo foi disputado, com poucas oportunidades claras e muita intensidade nos duelos. Moisés Caicedo acertou a trave, enquanto Pedro Neto obrigou Jordan Pickford a trabalhar. Do outro lado, o Everton tentou pressionar principalmente por meio de cruzamentos e bolas paradas, aproveitando também a energia de sua torcida.

Foi no segundo tempo que Neto encontrou o caminho para a vitória. Depois de uma boa jogada construída por Morgan Rogers e Jorrel Hato pelo lado esquerdo, o português apareceu na área para dominar e finalizar com o pé direito. Já aos 90 minutos, aproveitou uma sobra após cobrança de falta e, dessa vez com o esquerdo, bateu colocado para definir o resultado.

Os dois gols coroaram uma atuação que foi muito além das finalizações. Neto criou cinco oportunidades para seus companheiros, liderou a partida em ações com a bola dentro da área adversária e acertou o alvo nas três vezes em que finalizou. Também registrou a maior velocidade do jogo, chegando a 35,5 km/h.

Sua utilização como ala-direito parece favorecer algumas de suas principais características. Com mais espaço à frente para acelerar, Neto consegue explorar a velocidade e atacar a área sem precisar receber a bola constantemente de costas para um marcador. É uma função que exige bastante fisicamente, mas que também oferece ao português condições interessantes para participar das jogadas decisivas. Contra o Everton, ele soube aproveitá-las.

O valor de uma partida sem sofrer gols

Jogadores do Chelsea e Xabi Alonso aplaudem a torcida após a vitória por 2 a 0 sobre o Everton pela Premier League.
Jogadores do Chelsea celebram com a torcida após a vitória sobre o Everton. (Foto: Chelsea/Site Oficial)

Se Pedro Neto resolveu o jogo no ataque, a atuação defensiva trouxe uma conquista que o Chelsea perseguia havia muito tempo. Foram 22 partidas consecutivas de Premier League sofrendo pelo menos um gol, uma sequência que ajuda a explicar por que a primeira clean sheet da temporada foi recebida com tanta satisfação.

O resultado ganha ainda mais importância pelas circunstâncias. O Everton é um adversário tradicionalmente complicado para o Chelsea fora de casa, e o time de Alonso precisou enfrentar momentos de pressão, sobretudo no primeiro tempo. Houve bolas levantadas na área, disputas físicas e situações em que a equipe precisou defender sem perder a organização.

A evolução passa novamente pelo meio-campo. Depois de oferecerem sinais promissores contra o Bournemouth, Jordan Henderson e Moisés Caicedo voltaram a formar uma parceria fundamental para o funcionamento coletivo. Henderson contribuiu com experiência, posicionamento e organização, enquanto Caicedo ofereceu intensidade na recuperação da bola e capacidade para interromper os ataques adversários.

A presença dos dois permite que o Chelsea proteja melhor seus defensores e mantenha uma estrutura mais equilibrada mesmo quando perde a posse. Não se trata apenas de uma melhora individual dos jogadores de defesa, mas de um sistema que começa a funcionar de maneira mais coordenada.

E Henderson merece uma observação especial. Aos 36 anos, o inglês foi o jogador que mais percorreu quilômetros em campo nas duas últimas partidas do Chelsea, acumulando impressionantes 24,1 quilômetros. Um número que combina pouco com a imagem de um veterano em fim de carreira e muito mais com aquilo que ele vem oferecendo desde sua chegada. Além da experiência, Henderson tem entregado uma disposição física notável, reforçando a importância que começa a assumir na equipe.

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O susto com Martínez e uma evolução que ganha consistência

Emiliano Martínez, goleiro do Chelsea, com uniforme amarelo durante a partida contra o Everton pela Premier League.
Emiliano Martínez deixou a partida contra o Everton após sofrer um choque de cabeça. (Foto: Chelsea/Site Oficial)

A vitória também teve um momento de grande preocupação. No segundo tempo, Emiliano Martínez sofreu um choque de cabeça com Jarrad Branthwaite e precisou receber atendimento por vários minutos, incluindo oxigênio, antes de deixar o campo imobilizado em uma maca. O argentino foi encaminhado ao hospital para exames, mas Alonso informou após a partida que o goleiro estava consciente. Coube ao jovem Mike Penders, de 21 anos, fazer sua estreia na Premier League em circunstâncias bastante difíceis.

A longa paralisação interrompeu o ritmo do Chelsea, que vencia por 1 a 0 e parecia controlar a partida. Ainda assim, a equipe conseguiu administrar os minutos finais sem permitir uma reação do Everton e ampliou a vantagem com Pedro Neto. A intensidade do confronto também ajuda a explicar uma decisão pouco comum de Alonso: até os 90 minutos, a única substituição havia sido justamente a entrada forçada de Penders. Em uma partida de disputas constantes, o treinador preferiu preservar a estrutura que vinha funcionando.

Depois da goleada sobre o Bournemouth, a principal dúvida era se o Chelsea conseguiria reproduzir sua evolução coletiva diante de um adversário mais exigente e longe de Stamford Bridge. A vitória sobre o Everton oferece uma resposta animadora. Como observou Alonso, nem sempre jogar bem significa jogar bonito. Desta vez, o Chelsea precisou competir, suportar momentos de pressão e aproveitar suas oportunidades. Isso não significa que todos os problemas estejam resolvidos, especialmente no ataque, que ainda precisa produzir mais chances para sustentar as ambições de uma equipe que pretende brigar na parte de cima da tabela.

Ainda assim, os sinais de progresso começam a se repetir. O próximo compromisso, contra o Tottenham, em casa, será mais um teste importante. Por enquanto, Alonso pode comemorar algo que parecia distante nas primeiras rodadas: um Chelsea que não precisou marcar muitos gols para vencer, porque finalmente conseguiu impedir que o adversário marcasse.

Davi Mendonça

Jornalista esportivo, com formação em Gestão Esportiva, escrevo sobre o Chelsea e as histórias que cabem dentro de um jogo de futebol. Me interesso pelos personagens, pela memória e pelos pequenos detalhes que ajudam a contar um clube para além do placar. Acompanho os Blues dentro e fora das quatro linhas.

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